Mostrando postagens com marcador Bahia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bahia. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Outros carnavais




Sem trios elétricos, com muita fantasia.

No carnaval de Maragojipe, as estrelas são as pessoas do local, que se enfeitam e se produzem para brilhar no sol do Recôncavo.
Esta é uma festa realmente democrática, com as máscaras e caretas pelas ruas em grupos de amigos, famílias ou foliões solitários. Sem cordas ou separações.

Este clima especial é retratado no documentário No Ilê das Máscaras dirigido por Antonio Pastori. Hoje (13 de fevereiro), a partir das sete da noite, a TVE mostra a primeira como preparação do carnaval. É o trecho mais festivo do documentário. A outra parte, mais sentimental, será exibida domingo que vem, no mesmo horário. É bom pra conhecer um outro carnaval da Bahia.

Se quiser sentir o gostinho, dê um pulo no canal da Casa do Verso no YouTube: www.youtube.com/user/casadoverso .

As fotos desta postagem são de Júnior de Major.

Jornalismo empresarial ou comercial

Não somos ingênuos: toda empresa tem seus interesses, seus valores, suas metas, seus parceiros. Mas o principal interesse de uma grande empresa deveria ser o de permanecer viva.

Quando calouros, ainda esquentando os bancos da universidade, os futuros jornalistas aprendem que o jornalismo empresarial capta audiência para vendê-la aos anunciantes. Bem simples, não? Você convence parte do público que o seu conteúdo é interessante e ele vai consumir aquelas informações. Mais gente vendo, melhor para quem coloca as propagandas entre uma e outra notícia. Um dos valores que tradicionalmente mais manteve a fidelidade da audiência é a credibilidade da informação.

Mas não é de hoje que esta situação mudou. Vemos pautas que causam estranheza dentro dos noticiários e outros assuntos, que movem quem passa pela cidade, ausentes dos periódicos. O problema é que muitos dos profissionais de vendas usam a máxima de "o cliente tem sempre a razão" de maneira danosa ao bom jornalismo e misturam setores que deveriam ser completamente distanciados. E as redações se tornam setores anexos ao comercial. Pode até parecer num primeiro momento que isto deixa o anunciante feliz, mas isto é ilusório.

Como agradar concorrentes? Como se omitir de assuntos que palpitam entre as pessoas? Qual o preço em não colocar a noticiabilidade acima das trocas diretas?

Existem publicações de classificados, muitas distribuídas em sinaleiras. Isso não é jornalismo. E não desperta interesse do leito. Se não acordarmos, estamos todos fadados a enfeitar papel de enrolar peixe.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Marasmo

Todo ano é assim. Quando janeiro chega, tudo para. Nós, pobres mortais que seguimos com a rotina da semana inglesa, somos cobrados porque não entramos no clima de verão. Todos querem um banho de mar, uma balada à noite e um distendimento no tempo do lazer. Mas nós, pobres operários, continuamos a apertar os nossos parafusos.

O problema é que a matéria-prima do trabalho jornalístico é justamente o fato noticioso. E aí, começa o complexo Marina Lima do jornalista no verão. "Eu espero / Acontecimentos / Só que quando anoitece / É festa no outro apartamento".

Ao lado da culpa de não poder curtir com os amigos a boa boemia, vivemos o conflito de não encontrar nada que preste para levar a nossos leitores, ouvintes e telespectadores. Fazer o quê?

A cada dia vivido em redação tenho mudado minha forma de ver os critérios de noticiabilidade. Aprendemos, nas salas de aulas em busca do tão desprestigiado diploma de Comunicação, que quanto proximidade, impacto, drama humano, desastres naturais... são coisas que despertam o interesse do consumidor de informação. Mas é na redação que aprendemos que este valor não é absoluto: é relativo.

Explico: em tempos de vacas magras, qualquer criatura que se tranca num porta-malas por três dias merece render manchetes por uma semana. O destino de Ronaldinho vira página inteira. A roupa da vice-primeira-dama ponto de debate na bancada do horário nobre. E as doenças de verão surgem em todo o noticiário, como se reservassem algo de novo este ano. É a escassez, amigo.

Por isso, preciso agradecer ao prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro. Sem sua reforma repentina e devastadora de secretariado, não sei o que seria destes meus últimos dias. Mas como nem todo mundo tem um João, lamento pelos colegas de outras praças.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cara-de-pau e o quarto poder

Há casos que são demais: ontem, o italiano Gregório Olittierri, de 65 anos, foi assassinato na pousada da qual era dono, na Rua João Pondé, na Barra. Assim que as equipes de imprensa chegaram, um grupo aglomerava-se na porta e muitos se dispuseram a dar entrevistas sobre o que viram e ouviram. Um deles, o pintor Luciano Bonfim, prontificou-se a falar e disse ter ouvido gritos vindos do quarto.

Deve ter ouvido mesmo. Horas depois, a polícia apresentava o mesmo cidadão como réu confesso. O motivo? Desentendimentos antes de uma relação sexual. O que me espanta é que esta não foi nem a primeira, nem a última vez que a imprensa ouve a fonte errada. Neste caso, os repórteres não tinham bola de cristal, mas talvez um faro mais observador ou uma conversa com os peritos que estavam no local poderiam ter evitado a saia-justa.

Uma máxima dos romances policiais reza que o criminoso sempre volta ao local do crime. Acho que aos colegas, com a pesada rotina e a dificuldade de aprofundar a pauta com a redação ligando e dizendo "volta logo com a matéria", precisam voltar a ter o tal do faro investigativo. Senão, vão tomar cada vez mais baile de fontes.

Lembra do caso da Linha Amarela? Quando houve o acidente do Metrô, um falso engenheiro, Rogério de Almeida deu entrevista a várias TVs e jornais. O âncora da Band, Ricardo Boechat, precisou pedir desculpas. Assim, a tão prezada credibilidade vai para as cucuias.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Horário de verão, por que não?

Eram 4h45 da manhã de Natal. Não vi Papai Noel com suas renas, mas vi que o horário de verão na Bahia é possível. Sim. A justificativa costuma ser que para as pessoas que saem muito cedo, o dia fica escuro. Será que o volume de pessoas que sai de casa antes das 5h45 da manhã é tão grande assim, a ponto de os considerarmos como contingente mais relevante do que aqueles que estão às 19h fora de casa?

Governantes, acordem cedinho um dia e repensem a decisão. Teríamos dias mais longos e mais produtivos por aqui.

Quem não tem balangandãs....


Fim de semana passado, recebi amigos em casa. Como é tradição, fizemos o city tour em Salvador. Admito que fiquei feliz e surpresa ao ver que o Centro Histórico está melhor do que das últimas vezes que estive por lá com turistas. O pessoal do crack está em menor número, os prédios estão mais bonitinhos, mas ainda há um longo chão.

Uma das coisas que não consigo entender é como a cidade que vende ter uma igreja pra cada dia do ano mantém as portas de seus templos cerradas. Sim, promovemos o turismo religioso, mas quando chegamos na Ordem Primeira de São Francisco, num domingo, a igreja conhecida por ser a mais rica do Brasil estava fechada. A viagem não foi perdida porque a Ordem Terceira, dos leigos franciscanos, recebia visitantes, com um guia muito solícito e tudo. Nos cobrou R$ 20 reais ao fim do tour, tudo bem, mas a explicação valeu a grana. Há dez anos não consigo entrar na Igreja de São Francisco.

Na Santa Casa da Misericórdia, o passeio foi interessante. Vimos o museu, conhecemos seus "benfeitores", mas na hora da Igreja... Fechada porque se preparava para um casamento.

Descemos o Elevador Lacerda - com apenas uma das quatro cabines em funcionamento - que decepciona nove entre dez turistas que apostam ser o ascensor panorâmico. Lá embaixo, Mercado Modelo fechado.

Voltamos para o carro e rumamos para a Colina Sagrada. Não dá para sair de Salvador sem as bênçãos do Nosso Senhor do Bonfim. Lá, uma bela missa cantada. Amarramos fitinhas na grade, compramos souveniers e até garrafinhas de água benta. Valeu a ida.

Me pergunto: como podemos querer que nossos turistas saiam felizes e realizados se nossas atrações não permitem visitas? O que há de errado na política de turismo que não vê que é preciso conversar com Arquidiocese, Associação Comercial, Secretaria de Transportes e mais sei lá quantas entidades para que seja proveitoso vir à Bahia? Daqui a pouco 2014 chega. Vamos ficar no amadorismo?

Beira de estrada

Esta foi vista na Linha Verde:




























Balaio de mangas: "se não vai me chupar, não me amasse!!!"

terça-feira, 29 de junho de 2010

Viroses

Aproveito para me desculpar pela ausência de duas semanas. Estou com uma virose que atacou muita gente que conheço (uma tosse seca insistente e chata) que me tirou o ânimo e a voz. Ok, os dedinhos funcionavam, mas faltava disposição.

Então aproveito para falar da falência do sistema particular de saúde de Salvador. Sim, particular. A Bahia tem 4 mil leitos hospitalares a menos do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Conheço muitas mulheres que optaram por marcar um parto cesáreo por medo de não achar vaga para dar o bebê à luz.

A situação chegou ao ponto de médicos do Hospital São Rafael denunciarem agressões da qual tem sido vítimas. Pacientes e familiares ficam impacientes (perdoem o trocadilho óbvio) e reagem com socos e gritos.

Todo este cenário me fez desistir de ir em busca de um atendimento para aliviar minha tosse. Preferi meu chazinho com nebulização. E assim, meu plano de saúde engorda feliz.

sábado, 12 de junho de 2010

Revoada de tucanos

A piada que rolava entre os jornalistas que foram cobrir a convenção nacional do PSDB: quem foi o petista que organizou isto aqui e fez este ótimo serviço? Porque parecia missa encomendada pelo adversário. Uma desorganização de fazer dó.

A maioria dos colegas penitentes estava lá desde às 9 horas da manhã, horário marcado para o evento começar. E não tinha uma boa (ou má) alma que desse uma informação sobre que horas começavam as falas, qual era a ordem, quem vinha, por onde iam entrar...

A sala de imprensa era um cafofo. O ar condicionado não funcionava. Havia três computadores conectados à internet (lenta...) e mesas de plástico para o pessoal usar os portáteis (sem ter como usar os cabinhos de segurança. E o maior dos desrespeitos: não tinha café!

Tentei, em vão, saber se o candidato concederia uma entrevista coletiva. Ouvi inúmeros "não sei". Tentei acompanhar o candidato na saída e fui atropelada pelos fãs de Serra.

Bastidores à parte, Salvador não ganhou em nada com o evento aqui. E acho difícil que Serra tenha aumentado o capital eleitoral dele entre os baianos. Ainda mais criticando o corte de verbas para o transposição do Rio São Francisco.

Os tucanos pagaram mico!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Serra encontrou Jesus

Vai ser uma confusão dos diabos.

Sábado, dia em que o PSDB faz a convenção nacional no Clube Espanhol - ponto equidistante entre Ondina e a Barra - para homologar a candidatura de José Serra, os evangélicos fazem a caminhada para Jesus que sai do Largo de Ondina em direção ao Farol da Barra.

Chegar para a convenção tucana, só voando!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Artilharia antitucana

Bomba! Deputados do Democratas na Bahia ameaçam retirar apoio a José Serra se não houver coligação na chapa proporcional. O movimento é encabeçado pelo deputado Gaban.

Essa aliança está mesmo com um quê estranho. Suspeitas de um acordo de bastidores entre Dem e PMDB sem consultar o PSDB (que garante não aceitar o acordão), o PSDB baiano garantindo que o antigo PFL não terá espaço como vice de Serra e agora esse desentendimento na proporcional?

Tudo isso na semana em que acontece, em Salvador, a convenção nacional dos tucanos para homologar a candidatura de Serra.

O Dia dos Namorados pode acabar em briga conjugal na Bahia. Daquela que sai na página policial.

Sarapatel requentado

Depois do mistério "como pedirão votos para presidente Geddel (Dilma) e Benito (Serra) em um mesmo palanque", novo ingrediente pro sarapael eleitoral.

O atual vice-governador da Bahia, Edmundo Pereira - que é, poranto, vice de Wagner - será mesmo o candidato à vice na chapa de Geddel. Especulações:

1) Ele gostou de ser vice e quer ser reeleito para o cargo mais ativo que de rainha da Inglaterra;
2) Faltou criatividade a Geddel;
3) Geddel, apesar de negar, quer o continuísmo;
4) Vice? Serve pra quê, mesmo?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Aqui me tens de regresso

Nunca tentei, com afinco, ser boêmia. Mas a cidade onde eu moro realmente não ajuda.

Salvador tem fama de ter festa um ano inteiro, com povo festeiro, mas a impressão é a de que o soteropolitano precisa estar em casa de volta pra novela das 8. Ontem, saí do trabalho depois da meia-noite e fui encontrar amigos em um bar perto de casa. Ainda no meio do caminho recebi a notícia: a cozinha já fechou, viu? Véspera de feriado prolongado e um bar que encerra logo depois das doze badaladas? Será que as cozinheiras viraram abóboras?

Bom, tive que me contentar com uma batata-frita emergencial. Foi tudo que conseguiram pedir para mim (valeu, Pá!). Mas assumo que meu humor ficou abalado.

Como queremos nos tornar pólo turístico se nosso visitante precisa voltar pro hotel, frustrado, em horário de criança estar na cama? Nem pra flanar pelas ruas não dá. A não ser que você seja um verdadeiro aventureiro. Suplicante lhe peço que permita a volta do boêmio, Salvador.

O jeito é me contentar com meus 140 canais de programação repetida. Viva "Melhor é Impossível".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sarapatel indigesto

Por favor, me expliquem como vai ser este furdunço, muito mais complexo que a Quadrilha de Drummond.

Benito apóia Geddel
Geddel apóia Dilma
Dilma também está com Wagner
e Benito pede voto pra Serra
Serra é do PSDB
PSDB que apóia Souto

Vamos ao nosso palanque hipotético:
Geddel faz comício, em uma cidade dessas do interior que seja base de Benito. Discursos inflamados, "Wagner paralisou a Bahia! Onde estão os investimentos!". E Geddel completa: "Se eu for eleito, ao lado da presidente Dilma..." "Dilma?", pergunta Benito. "Não. O Brasil vai ser melhor com Serra!"

Na platéia, bandeiras com tucanos agitam-se misturadas às de estrelas vermelhas. E o eleitor volta pra casa sem entender direito em quem o cacique mandou votar. Olha pras praguinhas pregadas à camisa, joga todas fora e vota nulo.

A gente não concorda, nem discorda. Muito pelo contrário.